Desabafo 10/10/2015

Eu me sinto tão bem e tão feliz quando eu posso ser quem eu sou de verdade. Infelizmente, as minhas orações e os meus sonhos estão sendo silenciados pela a minha mãe. Todas as vezes que ela fala mal dos gays e diz que prefere ter um filho bandido a ter um filho gay, todos os meus sonhos e todos os meus objetivos são interrompidos. Isso deixa em mim uma angustia muito grande, porque eu tenho medo de fazer alguma coisa com a minha vida. Tem dia que eu não consigo me controlar e a única coisa que eu penso em fazer é de pegar o carro e jogá-lo em algum buraco e assim terminar de uma vez por toda com todo o meu sofrimento. A minha mãe não tem noção do que é sentir o que eu sinto, ela não sabe que sofro preconceito diariamente, que já fui humilhado na frente de toda a sala e que sinto a necessidade de um colo de mãe para me acalmar. Nesse exato momento eu estou chorando e com o coração cheio de dor e de medo do que pode acontecer comigo, a minha alma está abatida e fraca. Mãe, você acabou de entrar no meu quarto e nem se quer percebeu a minha tristeza, aliás, você nunca percebeu nada em mim, nunca se importou com o que estou sentindo ou o que estou passando. Mãe, você nem me ouve mais, nem me dá mais atenção, porque ainda devo viver? Gostaria de acabar com tudo isso de uma vez, mas eu não tenho coragem, tenho medo da dor. Mãe, olha nos meus olhos, você nunca olhou, nunca parou para me perceber. Obrigado por tudo, mas talvez quando leia isso seja tarde mais. Escrevo essas coisas na esperança de um dia você, mãe, pegar todos os meus textos e ver o quanto que sofri e o quanto que lutei para não sofrer. Espero que não seja tarde... Eu só quero ser amado e aceito da forma que eu sou, é tão difícil assim? 
Paulo Henrique Duarte