Eu sofri (Escrito em 27/04/2014)
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Bem, vou falar de um assunto não muito agradável de falar, é uma coisa triste que aconteceu comigo na infância e que as consequências levo até os dias atuais.
Quando eu tinha uns 5 ou 7 anos eu morava em um prédio que existiam muitas crianças, daí um senhor sempre chamava algumas crianças para ir à casa dele para jogar no computador, mas enquanto uns ficavam sentados na cadeira um ficava em pé atrás da cadeira pois ele mandava ficar ali. Não me lembro muito bem se acontecia com outras crianças, mas todas as vezes que eu ficava atrás da cadeira esse senhor ficava atrás de mim fazendo movimentos ilícitos, no popular, sarrando ou se esfregando em mim. Isso não foi apenas uma vez e um único dia, isso eram várias vezes no dia e vários dias. Eu sempre gostava de ir porque eu não tinha computador e naquela época era algo novo ter um, então adorava jogar aquele joguinho de cartas. Todas as vezes que eu ia, ele se aproveitava de mim. Infelizmente eu não tinha consciência do que estava acontecendo e nem do aquilo poderia gerar para a minha vida. Então, após isso eu comecei até atitudes estranhas. Sei muito bem que a homossexualidade nasce com a criança, mas com esse episódio despertou em mim a homossexualidade. Depois dos episódios de abusos sexuais eu me lembro de muitas atitudes minhas, quando criança, que faziam de mim uma criança diferente das outras. Eu pensei que isso iria passar, mas depois veio o episódio do meu pai me abandonando, traindo a minha mãe, batendo nela e sendo a pior pessoa do mundo. Isso foi como uma faca, destruiu a minha vida. Eu procurei em outros homens a segurança que eu nunca encontrei no meu pai, eu procurei em outros homens o amor que nunca tive dele e sempre procurei em outros homens o abraço que nunca recebi do meu pai. A minha adolescência foi muito difícil, muito complicada e muito triste. A ausência de um pai na vida de uma criança é muito triste, só sabe quem já passou por isso. É muito triste não ter um apoio de um pai, não ter um referencial de um homem. Então eu sempre fui criado por minha mãe, comecei a me identificar com a figura feminina da minha mãe. Nunca tive a vontade de ser mulher ou de virar uma, admiro quem tem essa coragem, mas eu não queria e nem quero isso para a minha vida. A minha mãe foi e é muito dura comigo, sempre me prendeu demais, sempre me deixou escondido do mundo, talvez com medo que eu conhecesse o mundo. Mas acho que toda mãe é assim. Infelizmente ela me fez um mal, porque me escondendo do mundo eu criei a curiosidade de conhecer, e quando tive a oportunidade eu gostei. Agora me diga, o que adiantou ela me prender? Me isolar de tudo e de todos? Mas cedo ou mais tarde eu iria conhecer o mundo, eu ia conhecer os prazeres da vida. Agora estou com quase 20 anos e posso ver que tudo isso poderia ter sido diferente, bastava meu pai ter sido mais presente na minha vida, bastava minha mãe ter sido mais flexiva e mais carinhosa comigo. Chegou um tempo que procurei em outras mulheres o carinho que eu não tinha da minha mãe, mas o amor que eu sentia por mulheres era totalmente materno, pois eu buscava o carinho e atenção que eu não tinha em casa. Com homens foi da mesma forma, busquei em outros o que eu não recebia do meu pai. Mas no final das contas, agora com quase 20, eu pesei tudo o que vivi e tudo o que senti e pude ver que independentemente das minhas escolhas, eu devo escolher o que me faz feliz e o que me faz bem, minha mãe e muitas pessoas não entendem e nunca entenderão, mas eu me sinto feliz e bem sendo gay.
Paulo Henrique Duarte

